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domingo, 25 de fevereiro de 2018

POR MAIORES E MELHORES ESPAÇOS NO PORTO DE CAMETÁ

                                                                                             
         
   Os problemas mais relevantes do Porto Cametaense, podemos resumir em: erosão, fechamento do porto e privatização.

Os ataques erosivos (quedas de barrancos, trapiches, cais...) sofridos desde os primórdios do primeiro porto em Cametá-Tapera, (Antiga Vila Viçosa de Santa Cruz dos Camutás) persistem até hoje em nosso porto e vem sendo combatidos desde os tempos de D. João VI até os tempos atuais, pelos nossos políticos, embalados pelo clamor de uma boa parte da população, principalmente, pelos que utilizam o porto como meio de sobrevivência, vivência, deslocamento, contemplação, reflexão espiritual, fonte de prazer e lazer.

A solução para este histórico problema, quase todos nós, hoje já temos a plena consciência, que é uma solução paliativa (momentânea, incompleta) que não mais move a fé popular em ter um porto recuperado, que ofereça condições mínimas de segurança para o trânsito, uso público e particular em seu espaço mais afetado pela erosão no seu lado norte.

Sabemos que a erosão é um fenômeno natural, irreversível (não tem cura, por tempo indeterminado existirá no decorrer do tempo geológico e será apenas amenizada, a muito longo prazo, com o assoreamento (secagem, acúmulo de areia, arvores...) do Rio Tocantins, que por sua vez, proporcionará o surgimento de mais praias e ilhas, menor velocidade nas correntezas do rio. Este fenômeno já está acontecendo e já traz resultados certamente mais danosos e devastadores para o povo que vive do rio e no rio, pois, o assoreamento também traz seus problemas para a navegação no rio e causa sérias dificuldades de procriação e sobrevivência das espécies fluviais, tais como, peixes, camarões e muitos outros seres aquáticos.

O outro problema do nosso porto é o seu acelerado processo de fechamento causado principalmente pela perda do lado norte do porto pela erosão. Com isso, aumenta a guerra por cada palmo de espaço portuário entre os comerciantes, ribeirinhos, feirantes, taxistas, motociclistas, ciclistas, pedestres e toda espécie de seres humanos cametaenses e não cametaenses que precisam se relacionar com o porto.

Chegamos ao índice absurdo e indignante de termos apenas 8% de espaço aberto no porto para o livre uso da população. Este é um dos maiores dos problemas sociais do porto, que vem atentando contra a segurança das pessoas, segregando as embarcações como um todo no pequeno espaço que resta para o escoramento (encosto, amarração), dos veículos náuticos agravando principalmente a atracação e agasalho dos pequenos barcos, canoas e rabetas.

O último dos problemas que tratamos aqui, é a crescente privatização do espaço portuário de Cametá. Nossos governantes, não tiveram a sensibilidade e o senso de responsabilidade para se preocupar em deixar maiores “janelas e portas” para o Rio Tocantins, no espaço não erodido. A cidade de Cametá, de seu lado norte, se esconde com medo por traz dos espaços erodidos e que continuam erodindo e, por outro lado, está acuada pelos aglomerados comerciais que necessitam e lutam por este espaço.

O povo tem muito pouco espaço seguro e confortável para contemplar o rio, trabalhar, conviver, fantasiar e sonhar com as belezas, cantos e encantos ainda presentes em nosso belíssimo Rio Tocantins.

Precisamos desenvolver políticas públicas para melhor gerenciar os espaços públicos que nos resta, ou quem sabe, comprar e resgatar maiores e melhores espaços no porto para não só devolver a sua beleza, mas aumentar a sua utilização segura e confortável como bem de todos os cametaenses e daqueles que nos visitam.
Flodoaldo Santos
Geógrafo e Escritor

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Erosão continua sendo o pesadelo de Cametá


Ameaça - Rio Tocantins avança cada vez mais e destrói barranco que pretege a cidade

Evandro Flexa Jr.

Da Redação de O Liberal

O movimento das águas, fundamental para o processo de formação das pérolas nas ostras, está acabando lentamente com a cidade conhecida como a Pérola do Tocantins. O município de Cametá, localizado no Baixo Tocantins, possui mais de 120 mil habitantes e, com 374 anos, está entre as mais antigas localidades paraenses. Banhada pelo rio Tocantins, a cidade precisa do curso das águas para se desenvolver. No entanto, há mais de oito décadas, Cametá enfrenta um problema sério provocado pela maré: a erosão da sua orla. Pelo menos sete dos mais antigos casarões foram para o fundo a partir de 1920, segundo conta o historiador Haroldo Barros. Desde o período, diversas medidas foram adotadas pelo poder público, porém, os barrancos de quase sete metros continuam desabando. O Centro Municipal de Saúde, localizado na primeira rua da cidade, está há menos de dois metros de vir a baixo.
Segundo avalia o aposentado Manoel Gaia, morador de Cametá há mais de 60 anos, o problema é antigo e ninguém consegue resolver. 'Muita coisa já caiu, e apenas parte do que foi destruído foi consertado pela prefeitura, graças a verbas federais', afirma. Um grande muro de arrimo foi construído em boa parte da orla, porém, a frente da cidade é extensa e a obra precisa de continuação. 'O muro começou a ser contruído, já faz mais de 20 anos. Não entendo por que a obra não foi adiante', indaga. Segundo afirma Gaia, foram feitas vária tentativas para manter o arrimo de pé, contudo, praticamente todas vieram a baixo com a força das águas.
Manoel explica que o canal - trecho do rio em que as águas percorrem com mais intensidade - é muito próximo da orla e, com isso, a maré chega até o barranco com bastante força.
'Este canal tem 30 metros de profundidade e passa quase na beira. Quando os navios grandes enconstam no porto, a força maré pára nos cascos, porém, o restante da orla sofre', comenta. Por este motivo, todas as tentativas de construção de cais não foram adiante. 'Por enquanto, o muro de arrimo está segurando. A última revitalização aconteceu em 2002, com verba federal', destaca.

Desastres à vista, prevê morador

As águas do rio Tocantins passam por baixo das primeiras ruas da cidade. Pelo menos é o que afirma João Batista Redig, aposentado e morador de Cametá há 73 anos. 'A força das águas perfurou alguns trechos dos barrancos, ou seja, o rio está adentrando a cidade pelo fundo, através destes canais. Certa vez jogaram óleo no poço da prefeitura, que fica no centro da cidade, e a orla ficou completamente suja', conta. João conta ainda que tudo que foi construído ao longo dos últimos 20 anos pode desabar a qualquer momento.
'Teria que começar um projeto novo, e levar o arrimo até a praia da Aldeia. Se demorar muito, novos desatres podem acontecer. A clínica municipal está muito perto de desabar', avalia.
Segundo conta o historiador Haroldo Barros, pelo menos cinco barcos foram afundados na frente da cidade para conter a maré. 'O primeiro deles foi o navio Perseverança, em 1940. Depois, em 1980, a embarcação Taubaté também afundou. Na década de 90, dois outros navios também passaram pelo mesmo processo: Leandeteau, Poraquê. O último foi em 2001, um barco chamado Roraima', conta. Conforme afirma o historiador, o naufrágio das embarcações tinha como intuito levar o canal para mais distante da orla. Haroldo destaca ainda que o rio Tocantins chegou a ter 20 metros de profundidade, porém, em 2001 estava com apenas 16 metros.
Para Mauro de Melo Valente, secretário de Obras de Cametá, a prefeitura não tem recursos para atuar sozinha em busca da solução. 'O governo do estado tem projetos, no entanto, até agora ficou só no discurso', afirma. Mauro lembra que o deputado federal Gerson Perez (PP/PA) pleiteou R$ 1 milhão para dar continuidade à obra - porém, o valor foi muito abaixo do custo real do projeto, orçado em R$ 3,7 milhões. 'O projeto já está pronto, e foi feito pela empresa Paulo Brígida Engenharia. Falta o governo cumprir com a promessa, feita desde 2008, para que a obra possa sair do papel', ressalta Valente. (E. F.)
Jornal O Liberal. Edição de 21/02/2010. Disponível em <http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=247&codigo=457820>


Erosão e o Patrimônio Histórico

A erosão provocada pela maré do Rio Tocantins pode destruir parte do patrimônio histórico da cidade de Cametá (PA), que foi fundada no século XVII e elevada ao status de cidade em 1848, e, em especial, suas igrejas.
“Se nada for feito para conter a força das águas, a cidade pode perder parte de sua história e toda sua orla”, afirma Antônio Cícero, de Belém (PA), que registrou o risco corrido pelos imóveis à beira do rio.
De acordo com Denivaldo Pinheiro, diretor da Secretaria de Integração Regional do governo paraense, a reforma da orla de Cametá foi dividida em três partes, em razão da dificuldade de se obter o financiamento completo para as obras.
A primeira parte da margem, que inclui a igreja Nossa Senhora de Nazaré, será reformada a partir de maio deste ano, prazo para encerramento do processo licitatório, segundo Denivaldo. Não há previsão de encerramento da obra, que será feita por meio de convênio entre a estatal Eletronorte e a Secretaria de Integração Regional.
A segunda parte, da qual a igreja São João Batista faz parte, não tem previsão de início, pois o orçamento ainda está em fase de aprovação em Brasília, já que a parceria para as obras será realizada entre a secretaria estadual de Desenvolvimento Urbano e Regional e o Ministério da Integração Nacional.
Os responsáveis pela terceira parte da orla ainda estão indefinidos. Ainda há a previsão de construção de um porto fluvial em Cametá, mas os estudos de cessão de terrenos por parte da prefeitura e a desapropriação de áreas particulares, incluindo um clube da cidade, atrasam o início das obras.
A prefeitura e o Ministério da Integração Nacional também negociam a implantação de muros de arrimo, necessários para sustentação das obras em torno da margem.
Defender. Disponível em <http://www.defender.org.br/cametapa-erosao-em-orla-de-rio-pode-destruir-igrejas-no-pa/> . Acesso em: 07 abr 2010.