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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mupi: Exemplo de Conservação Ambiental. Afirma aluno do PROCAMPO

Por: Cássio Rogério Graças dos Santos 
"Poucos lugares do mundo são tão identificados com a sua natureza quanto a Amazônia. Uma natureza que toma dimensões místicas no imaginário popular, povoando-o de paisagens espetaculares de rios e florestas colossais...” (Slater, 1996).
       O fragmento acima relata a beleza da Amazônia, um lugar do planeta que atrai os olhos de todo o mundo, não só pela sua beleza, mas também pelas suas riquezas como a flora, a fauna e até os minérios que existe no subsolo.
       Vamos nos deter a uma pequena vila chamada Mupi, sendo de origem quilombola, localizado no município de Cametá, a margem esquerda do rio Tocantins no Estado do Pará. Lá a população tem o interesse em preservar e respeitar a natureza.
       Os habitantes de Mupi trabalham com o plantio da mandioca, sendo esta usada para fazer farinha, tucupi, goma de tapioca, farinha de tapioca, bejú  e outras coisas da culinária típica paraense. Também trabalham com o extrativismo vegetal, na coleta do açaí, castanha do Pará, tucumã, bacaba e etc. tudo com o máximo de cuidado e respeito para não agredir a floresta.
       O mais interessante é que mesmo os agricultores queimando uma área para plantar, ao mesmo tempo é conservada outra que chega até, sem exagero nenhum, ficar mil vezes maior. Se no meio da roça estiver germinando ou “grelando”, como eles mesmos dizem, uma castanheira, eles vêem na obrigação de não cortá-la visando que no futuro àquela árvore poderá gerar alguma renda, pois pode aproveitar os frutos e a madeira para a construção de canoas, tirar madeira para vender e criar outros utensílios necessários para a casa.
       As várzeas também são preservadas e ali os moradores e os agricultores tentam não levar nenhuma atividade que não venha agredir aquele ecossistema. Como sabemos, o açaí se desenvolve melhor nas áreas de várzeas ou próximos a elas, e também os peixes que ali vivem e se reproduzem precisam dos frutos que caem das arvores para se alimentarem e tendo peixe os habitantes daquela região terão alimentos, pois o peixe e o açaí constituem a base da alimentação das populações ribeirinhas.
       No Mupi, os rios são como ruas que – ao invés de carros - trafegam barcos e canoas conduzindo pessoas à roça, à escola e à cidade de Cametá. Entretanto, os rios não servem apenas para isso, eles têm um papel fundamental para aquela comunidade como por exemplo a alimentação: pois lá encontramos peixes, camarão, arraias e uma infinidade de animais que vivem em função dos rios. Mesmo com a mudança da correnteza, provocada pelas represas de Tucuruí, os pescadores ainda encontram, raramente, um peixe chamado Pirarara, (Phractocephalus hemioliopterus): um grande bagre, que pode ser encontrado na bacia do rio Araguaia, Tocatins e Amazonas. Do tupi-guarani “pira” significa peixe e “arara” é ave colorida, pode pesar mais de 120kg, tem cor cinzento, amarelo e avermelhado. É um peixe carnívoro e se alimenta de peixes, quelônios, crustáceos e tudo que se move a sua volta no fundo dos rios, quando adulto representa perigo para os ribeirinhos, pois ataca pessoas, segurando com a boca um dos membros e arrasta a vitima para o fundo, que morre por afogamento. Pode ser criada em aquários, quando pequeno, e também se reproduz em cativeiro. Por esses motivos, os rios daquela região são cuidados pelos moradores e pescadores, sendo preciso até pularem no rio para pegar uma garrafa ou uma saco plástico que caiu por acidente.
       Porém, mesmo protegendo a floresta e os rios, tem a questão do lixo, pois no Mupi não tem a coleta deste, pelo fato de não ter um terreno apropriado para depositá-lo e também a prefeitura não disponibiliza carros ou caminhões para fazer a coleta. Portanto, a solução encontrada pela população é queimar o lixo inorgânico, já que o orgânico já é usado como adubo – eles acreditam que é melhor do que jogar na floresta ou no rio - mas sabemos que a queima libera o dióxido de carbono (CO2 ) sendo este é o responsável pelo efeito estufa.
       Mupi pode servir de exemplo para todo o mundo porque é uma comunidade que sabe (con)viver com a natureza - sem ser necessário agredi-la para sobreviver e tirar seu sustento - conservando e preservando eles se beneficiam muito mais. Assim como Mupi, deveríamos saber usar com critério aquilo que a natureza nos oferece.
Fonte:
Casa Civil do Governo do Pará

domingo, 7 de março de 2010

O PROCAMPO em Cametá-Tapera


CAMETÁ-TAPERA SOB UMA VISÃO DE VIVÊNCIA DA ENGENHARIA CIVIL
Por: Maycal Souto
Explanaremos a seguir um pequeno resumo histórico baseado em uma visão sócio-cultural de Cametá-Tapera, a partir da vivência estudantil camponesa de Maycal Souto, estudante do IX período de Engenharia Civil na Universidade Federal do Pará – UFPA.
Primeiro povoado do Baixo Rio Tocantins, Cametá-Tapera é um lugar pacato e receptivo, onde ainda podemos sentir um ar de natureza doce e simples, com uma vida cercada de heranças naturais. Cametá-Tapera localiza-se às margens do Rio Tocantins, o berço da colonização pelas missões católicas por volta de 1625. Segundo estudos feitos pela Prelazia de Cametá, ainda no ano de 1617 houve registros da presença de frades Capuchinhos de Santo Antônio, oriundos de Belém ou de São Luiz do Maranhão. Antes da chegada dos portugueses, em Cametá-Tapera viviam os índios Camutás. Posteriormente neste mesmo lugar, fora construída uma Ermida com o objetivo de catequizar os nativos ou mesmo fazer o que se chamava de aldeamento.
Em 24 de dezembro de 1635, Cametá-Tapera tornou-se reconhecida como Vila de Cametá-Tapera ou mesmo Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá, onde serviria mais tarde como alicerce para a capitania de Feliciano Coelho de Carvalho e base significativa para a consolidação da Cidade de Cametá. Foi em Cametá-Tapera que Pedro Teixeira organizou sua expedição e partiu para a conquista da Amazônia com cerca de 1200 índios. Em 1713 a sede administrativa mudou-se de Cametá-Tapera para o sítio Parajó ou Murajuba, onde se assenta atualmente a cidade de Cametá, esta, portanto podemos chamar alegremente de herdeira dos frutos iniciais da colonização nascidos em Cametá-Tapera.
Como dito, esta pequena e pacata localidade possui um enorme valor histórico, não somente para a região, mas entrelaçando-se também com a própria história do Brasil. Hoje chegando a Cametá-Tapera não podemos imaginar tamanha importância que esta localidade teve em tal contexto, pois não há indícios visuais sobre a história contada neste período colonial; a visão principal é de um povoado de vida harmônica com a natureza, onde o tom esverdeado de seu entorno não garante somente uma bela visão da Amazônia às margens do Baixo Rio Tocantins, mas também um eficiente meio de aquisição de bens nutricionais que regam o cardápio diário da comunidade.
Como dito, esta pequena e pacata localidade possui um enorme valor histórico, não somente para a região, mas entrelaçando-se também com a própria história do Brasil. Hoje não há indícios visuais no local que possam ressaltar a história contada neste período colonial; a visão principal é de um povoado de vida harmônica com a natureza, onde o tom esverdeado de seu entorno não garante somente uma bela visão da Amazônia às margens do Baixo Rio Tocantins, mas também um eficiente meio de aquisição de bens nutricionais que regam o cardápio diário da comunidade.
Este pequeno resumo histórico sobre Cametá-Tapera nos traz uma melhor visão sobre tal localidade e posterior melhor entendimento sobre o atual desenvolvimento sócio-cultural deste lugar. O PROCAMPO escolheu esta vila como uma das comunidades que receberiam estudantes durante a segunda vivência do programa. A vila foi escolhida devido a atuação desta num meio de produção agrícola local, apesar de hoje ainda estar engatinhando sob uma visão social moderna.
Contrastando com todos os entraves podemos ver uma população local de natureza forte, cheia de vigor e força de vontade, ansiando por oportunidades que as façam ter um futuro melhor, nos aspectos básicos que uma população humana necessita. Sendo assim, vamos procurar manter, neste artigo, aspectos sociais pertinentes a uma visão a partir de um curso de Engenharia Civil e encaixá-lo onde poderíamos ter uma melhor adição de conhecimento na tentativa de melhorar a qualidade de vida dessa população.
Os principais aspectos pertinentes a uma intervenção em favorecimento desta população, partindo de uma iniciativa da Engenharia Civil, seriam basicamente o que traria benefícios condizentes ao saneamento básico (fossas sépticas, sistema de drenagem de água e esgoto), trafegabilidade (estrada de acesso devidamente asfaltada e drenada, além da terraplenagem de ruas) contenção da erosão às margens do rio Tocantins (muros de arrimo com estudos de viabilidade de materiais locais). Tais meios trariam para Cametá-Tapera uma base de sustentabilidade que qualquer comunidade com os mesmo aspectos precisariam para poder pensar melhor num futuro mais digno.
A questão sobre o saneamento básico deveria ser de imediato alvo para começo de melhoria da vida local. A ausência de fossas sépticas favorecem a contaminação do lençol d'água, além de proliferação de mosquitos, doenças por contaminação de vermes e outras pertinentes a esta questão. A carência de fossas não é gerada fundamentalmente por necessidade de mão-de-obra e matéria prima, mas sim por falta de informações que permitam a elaboração deste tipo de saneamento, sendo assim o morador local chega a adquirir material basicamente necessário para construção de uma fossa, no entanto sem a instrução técnica necessária, acaba por fim elaborando uma obra de total inconveniência técnica e incapaz de contribuir para o saneamento básico. Levando isto em consideração, como estudante de engenharia civil acredito que uma simples panfletagem, com um esquema técnico de construção de fossas sépticas, já ajudaria, e muito, o saneamento local.
O sistema de drenagem de água e esgoto seria um processo muito importante para o desenvolvimento, não só no que converge a saúde da população local, mas também por ser uma obra que vem acompanhada de terraplenagem e pavimentação, daria a possibilidade de aumento da produção local de açaí, farinha de mandioca, pimenta do reino, cupuaçu e outros. Daria a garantia de uma rede logística de transporte deste meio de produção e, portanto, a perspectiva de desenvolvimento econômico com o escoamento da produção local. Lembrando também que a estrada de acesso a Cametá-Tapera, partindo para cidade de Cametá, se torna intrafegável no período de inverno, prejudicando todo o trajeto até esta cidade, dificultando o trafego de acesso às escolas e trabalhos de onde a população extrai a sua dignidade mesmo com tamanha adversidade.
Em relação à erosão causada pelo Rio Tocantins, pode-se dizer que trará em pouco tempo danos aterrorizantes para a comunidade local, não somente de Cametá-Tapera, mas também de outras comunidades que vivem às margens deste rio. Relatos de moradores locais indicam uma média de avanço da erosão em considerações empíricas, de aproximadamente 2 m (dois metros) em apenas 9 anos. No entanto em alguns trechos onde o solo é mais fraco e a lixiviação o satura ainda mais, o avanço da erosão se torna mais rápido e já atingiu parte da "rua" que circunda as margens do rio, sendo assim, logo irá engolir os postes de energia da comunidade e num futuro bem próximo irá atingir algumas casas da população.
Podemos dizer que hoje a engenharia possui meios distantes demais da realidade econômica local para a construção de muros de arrimo que possam realmente conter a erosão nas margens deste rio. A própria cidade de Cametá já sofreu e ainda sofre com este problema. Inúmeros muros de arrimo já foram destruídos pela fúria deste rio de ondas severas. Meios como os desvios das correntes d'água já foram e são utilizados com relativo sucesso, instalando diques improvisados, utilizando-se de embarcações afundadas em trechos do rio em que se pode desviar as correntes d'água, diminuindo, portanto a intensidade do impacto causado nas margens e, sendo assim reduzido o processo de erosão.
Em tal contexto, a construção de muros de arrimo se torna, portanto, um elemento primordial por manter condições de vida favoráveis à existência futura da comunidade local. Entretanto, as adversidades econômicas e a singularidade da geografia às margens do Rio Tocantins, tornam esta uma obra de grande dificuldade, não só do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista técnico. Partindo deste pressuposto, e convivendo em comunidade acadêmica, afirmo que alguns estudantes e profissionais da área até possuem soluções geniais para construção de muros utilizando materiais locais e com boa chance de sucesso na contenção das erosões.
Com tais explanações esperamos ter desenvolvido neste texto, não somente os aspectos visuais em Cametá-Tapera, mas também, tentar de alguma forma abrir os olhos dos que possuem o poder de ajudar essa tão rica comunidade, cheia de vontade de viver e prepará-los para um futuro ainda melhor, com maior justiça social e expectativa de vida de seus moradores e gerações posteriores, garantindo também uma maior valorização da história tão importante que fez surgir essa tão receptiva e acolhedora gente, vivendo como podem apenas com a graça de suas boas vontades e o bom do que a natureza os trouxe.
Fonte:
Casa Civil do Governo do Pará