BATEL
- BATEL
- Miguelângelo
- Navego sem
vela, sem vento.
- A deriva num
mar escuro
- Fito num olhar
o firmamento
- Minha bússola
eu procuro
-
- Sei que em
terra assente
- Eu vou aportar
meu batel
- Saudade do
amor presente
- Esculpido em
nuvens no céu
-
- Faço miragens
pra confortar
- O vento sopra
rumo noroeste
- A proa quer na
água adernar
- A saudade meu
corpo veste
-
- Busco um
brilho, algum som,
- Seus arrecifes
são obstáculos
- O mar me chama
pra Posseidon
- Furtando
tintas de seus tentáculos
-
- Sentem os
olhos entre abertos
- Um feixe lá
longe é brilhante
- Os amores
agora são libertos
- Dessa nau se
fazem tripulante
-
- A lanterna
gira o seu alcance
- O bombordo se
enche de regozijo
- Lembranças de
nosso romance
- São tesouros
de nosso esconderijo.
-
- Meu leme
aponta na enseada
- Meu peito se
enche de fortuna
- A tarde é cena
toda prateada
- Um aceno me
saúda na coluna
-
- Braços e
abraços, cheiro e calor!
- Sossego do
timoneiro no convés
- Beijos no
espírito de nosso amor
- Chão firme sob
intricados pés.
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